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sábado, 6 de novembro de 2010

Associativismo, Cultura e Desporto - PARTE CULTURAL (1)

ASSOCIATIVISMO, CULTURA E DESPORTO
20 de Junho de 2009
Sociedade União Crucifixense

Parte Cultural (1) - Luís Grácio (guitarra portuguesa) e Joaquim José Ervideira (viola)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sábado - 28/11 - 15/17 horas - Rádio Tágide FM 96,7 www.radiotagide.pt - COMUNIDADE ABRANGENTE

A Sessão Temática destinada a abordar o tema da “Comunidade Abrangente” será realizada num inovador formato, considerado mais adequado à natureza do tema, através de um programa radiofónico na Rádio Tágide, no próximo dia 28 de Novembro, Sábado, entre as 15 e as 17 horas.
O programa poderá ser escutado pela rádio, em FM, na frequência 96,7 e em todo o mundo através da internet no site www.radiotagide.pt .
É o momento de falar da Comunidade Abrangente, a Comunidade Tramagalense, composta por duas Comunidades, a Presente, que vive actualmente no Tramagal e a Ausente, algures no planeta terra, mas com raízes e amarras a esta terra, resultado da Diáspora Tramagalense, dos encontros e desencontros da vida.
Optámos por esta via, porque só a rádio e a internet permitiam este encontro.
Mário Rui Fonseca, que também faz parte da Comissão Coordenadora do Fórum, dirigirá esta edição.
O sentir da Comunidade Tramagalense em Lisboa, que realiza na próxima 6ª feira o seu 8º jantar anual, será expresso numa reportagem.
A Comunidade da Marinha Grande estará presente por Celeste Pombinho, da Comissão respectiva.
António José Carvalho representará a Comunidade no Algarve.
Fernando Caldeira e João Calado em Angola.
Luís Padilha no Canadá.
João Vitorio e Narcisa Peixoto em França.
Luís Horta Ferreira na Escócia.
António José Tomás na Alemanha.
Apesar das longas distâncias, serão a Comunidade Ausente, hoje presente, para além de quem, pelo telefone, possa participar.
Um agradecimento especial à Rádio Tágide pela edição e ao jornal “ABARCA” pela cobertura jornalística.
Que este reencontro seja um momento de grande significado e alegria !!
Saudações Tramagalenses,
A COMISSÃO COORDENADORA

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

COMUNIDADE ABRANGENTE E APOIO SOCIAL, TERCEIRA IDADE E ORGANIZAÇÂO SOCIAL

A Sessão Temática destinada a abordar o tema da “Comunidade Abrangente” será realizada num inovador formato, considerado mais adequado à natureza do tema, através de um programa radiofónico na Rádio Tágide, no próximo dia 28 de Novembro, Sábado, entre as 15 e as 17 horas.
A rádio proporcionará o encontro de tramagalenses em vários pontos do território nacional e no estrangeiro e a expressão de sentimentos, vontades e por certo a saudade.
O programa poderá ser escutado pela rádio, em FM, na frequência 96,7 e em todo o mundo através da internet no site
www.radiotagide.pt .
Esta iniciativa tem a colaboração da Rádio Tágide e do Jornal “A Barca” que promoverá o correspondente tratamento jornalístico.
A natureza das Comunidades Tramagalenses, a “Presente” e a “Ausente”, constituindo esta a diáspora tramagalense, conjugada com as faculdades permitidas pela rádio, aconselharam este modelo de realização.
Atendendo à relativa proximidade da época de Natal, propícia à realização de múltiplas actividades, foi entendido realizar a Sessão Temática sobre Apoio Social, Terceira Idade e Organização Social no dia 30 de Janeiro de 2010.
A Comissão Coordenadora

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Comissão Coordenadora - Informação

Estava previsto retomar o “Fórum para a Cidadania dos Tramagalenses” em Setembro com uma Sessão Temática orientada para o “Apoio Social, Terceira Idade e Organização Social”.
A Comissão Coordenadora reuniu e após alguns contactos entendeu realizar a próxima iniciativa no mês de Novembro.
Foi entendido que o actual momento de disputa eleitoral, democraticamente importante, poderia ser perturbador da concretização dos propósitos e objectivos expressos na “Carta de Princípios”.

A Comissão Coordenadora

Intervenção de Margarida Neno Togtema

Fórum para a Cidadania dos Tramagalenses
Sessão Temática - Associativismo, Cultura e Desporto
  • Cultura, Sociedade, Arte e Educação
    Onde está o problema?

Na segunda metade do séc. XIX, Edward-Burnett Tylor define cultura como “um conjunto que compreende os conhecimentos, as crenças, a arte, a moral, as leis, os costumes e outras capacidades e usos adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade”.

Na perspectiva da sociologia e da antropologia, a cultura diz respeito a toda a vida social, visto que abarca os seus sistemas de ideação, de representação e de expressão. Dito de outra forma, ela consiste na própria sociedade na medida em que oferece às pessoas e aos grupos padrões de conduta.

António Teixeira Fernandes afirma que “a vida humana recebe da cultura o seu sentido e a sua orientação”, pois “é ela que, clarificando a quotidianeidade, permite ao homem (…) descobrir-se como ser com os outros no mundo, isto é, descobrir-se enquanto ser ao mesmo tempo individual e social e unificar os seus anseios pessoais em projectos colectivos”.

E segundo este autor, a cultura não se esgota na satisfação de necessidades materiais imediatas, pois voltada como está para a fruição da existência, enaltece os valores e a qualidade de vida.

Posto isto, centremo-nos agora na Arte enquanto manifestação indubitável de cultura. Mas… o que é a Arte? Recorrendo à definição mais simples e mais usual, é a tentativa de criar formas deleitáveis. Assim sendo, parece evidente que o seu campo é justamente o da fruição da existência, enaltecendo assim a qualidade de vida e valores que são, sobretudo, da natureza estética e emocional.

Como refere Herbert Read, tais formas deleitáveis comprazem o nosso sentido do belo, sentido que se satisfaz quando podemos discernir uma unidade ou harmonia de relações formais entre as nossas percepções sensíveis. Estamos então no domínio da estética. A Arte, como dissemos, enaltece os valores estéticos. E isto acontece quando as simples percepções de qualidades materiais (como as cores, os sons, os movimentos, etc) são arranjadas em formas e padrões agradáveis.

Todavia, a Arte, como também referimos, enaltece valores de carácter emocional. E isto acontece, justamente, quando se faz corresponder um certo arranjo de percepção (que está no âmbito do sentido estético) a um determinado estado emotivo ou emocional. Neste caso, deu-se expressão a essa emoção ou sentimento.

Posto isto, e voltando a citar Herbert Read, a finalidade da Arte é a comunicação de sentimentos. E citando agora Duarte Jr., “a Arte é uma maneira de despertar o indivíduo para que este dê maior atenção ao seu próprio processo de sentir”. Parece pois evidente que só sentindo é que se pode comunicar um sentimento.

De tudo quanto já foi dito podemos retirar duas ideias essenciais:
· a primeira, a de que a cultura permite ao Homem descobrir-se como ser com os outros no mundo;
· a segunda, a de que a finalidade da Arte é a comunicação de sentimentos.

Se assim é, parece pertinente perguntar se será apenas ao nível da fruição da existência que a importância da Arte se manifesta? Por tudo aquilo que implica não é a Arte detentora de um enorme potencial educativo, se olharmos para a Educação como um processo que visa conduzir à aquisição funcional dos saberes, do saber fazer e do saber ser?

E quando falamos aqui em Educação estamo-nos a cingir à chamada educação genérica e, em especial, à educação básica que é, actualmente, de nove anos em Portugal, e que, sendo imposta pelo Estado, é também designada por ensino obrigatório. E este carácter obrigatório deriva justamente da sua finalidade: dotar os cidadãos de todo um conjunto de conhecimentos e competências que esse Estado reconhece como necessárias ao exercício consciente e responsável da cidadania.

E, curiosamente, constata-se que entre as várias áreas curriculares que integram esta educação básica se encontram justamente as expressões artísticas. Isto é, claramente, e pelo menos na “teoria”, o reconhecimento da sua importância na sociedade. Mas uma questão surge então como inevitável: qual o papel ou função das expressões artísticas nesta educação considerada básica, quando parece que, como vimos há pouco, a Arte aparece ligada à fruição da existência?

E esta questão remete-nos forçosamente para uma outra: a das finalidades da Educação. Sabe-se que elas são determinadas pelas expectativas da sociedade, embora o seu formato final seja determinado pelo poder político. Mas então, se são determinadas pela sociedade, olhemos um pouco para as sociedades modernas, para tentarmos compreender aquilo que parece ser uma contradição: por um lado, o reconhecimento da importância da experiência artística e cultural na formação dos seus cidadãos e, por outro a “crise” ou o “vazio” que se vive ao nível da cultura e das artes.

Ora, desse olhar sobre as sociedades modernas podemos constatar, entre outras coisas:
· uma cisão básica da personalidade humana: uma cisão entre o sentir e o pensar; entre a razão e as emoções;
· que a nossa civilização hipervaloriza a razão em detrimento de 2 dimensões básicas da vida: os valores e as emoções;
· a primazia do trabalho, devendo-se a acção orientar na direcção da produção de bens de fins utilitários, o que leva a relegar o lúdico e o estético para posições inferiores.

Estas características das sociedades modernas permitem compreender melhor a contradição atrás referida. Na verdade, elas deixam transparecer um total desajustamento entre o campo das intenções – da construção teórica do que é reconhecido e valorizado - e o campo da acção – da realização prática das prioridades reais. Ora, parece-nos que deste desajustamento não poderá nunca advir um bom resultado.

E muitos foram os pensadores que, confrontados com estas características das sociedades modernas, vieram falar da necessidade de reestruturar de forma radical esta civilização, alertando para os múltiplos riscos que ela acarreta. Segundo eles,
· hipervalorizando a razão, as tais dimensões básicas (valores e emoções) não possuem canais para se exprimirem e desenvolverem. O trabalho utilitário, não criativo e muitas vezes sem sentido, tira o lugar à festa, à dança, ao ritual, à arte, e a violência torna-se a forma privilegiada de expressão das emoções;
· por outro lado, o indivíduo isolado torna-se o valor supremo, e cada qual deve lutar contra os outros em favor do seu progresso. Não será este isolamento a negação da cultura? Não é verdade que a cultura “permite ao Homem descobrir-se como ser com os outros no mundo”? Parece que em vez de com os outros ele aparece contra ou outros.
Por outro lado, também sem os outros a comunicação não é possível. Comunicar implica interagir com os outros e comunicar não se esgota na comunicação escrita. A comunicação reveste muitas formas, sendo a comunicação verbal apenas uma delas. E só no contacto interpessoal é que outras formas de comunicação se podem revelar.

O que acontecerá então à Arte, se a sua linguagem é, em grande parte, não verbal e se a sua finalidade é a comunicação de sentimentos?

Este isolamento crescente dos indivíduos não será também fruto dos enormes e rápidos progressos das tecnologias de informação e comunicação e, sobretudo, da sua utilização de forma menos adequada?

Mas voltemos então à Educação. Deixando aqui de lado a questão complexa das finalidades e sua operacionalização, centremo-nos no papel que a Arte aí pode ter. Dito de outra forma, qual é, afinal, a importância da Arte na Educação? Sem nos querermos alongar sobre esta questão, pode-se dizer que a Arte:
· permite dar espaço ao emocional, contrariando a tendência intelectualista ou cognitivista da escola, contribuindo assim para o equilíbrio entre ambos, indispensável ao bem estar e ao desenvolvimento do ser humano enquanto tal;
· gera dinâmicas de grupo, contrariando o isolamento tão prejudicial do indivíduo, contribuindo assim para a sua socialização;
· leva-nos a conhecer aquilo que não temos ou não tivemos oportunidade de experienciar, o que é fundamental para que se possa compreender as experiências vividas por outros. Possibilita-nos, assim, o acesso dos sentimentos a situações distantes do nosso quotidiano, construindo as bases para a sua compreensão. É justamente aquilo que acontece quando, através do cinema, do teatro, da música ou em frente às telas, “sentimos” as emoções que outros sentiram;
· agiliza a nossa imaginação, contrariando os limites impostos quotidianamente pela intelecção e pelo sentido utilitário da realidade.

Na Conferência Mundial sobre Educação Artística organizada pela UNESCO e realizada em Lisboa em Março de 2006, que tinha como tema “Desenvolver as capacidades criativas para o século XXI”, Manuel Damásio, na sua intervenção de abertura, afirmou, referindo-se às Artes e às Humanidades, que estas disciplinas não são um luxo, mas antes uma necessidade, pois para além de contribuírem para formar cidadãos capazes de inovar, constituem um elemento fundamental no desenvolvimento da capacidade emocional indispensável a um comportamento moral íntegro. Referiu ainda a necessidade e urgência de voltar a ligar os processos cognitivo e emocional, uma vez que opções morais íntegras exigem a participação simultânea da razão e da emoção.

Feita esta breve reflexão, impõe-se fazer uma pergunta: Se o sistema educativo, apesar das características referidas das sociedades modernas, parece, de facto, contemplar as áreas artísticas dando, dessa forma, sinais de preocupação com as questões culturais, por que é que parece que a sociedade portuguesa – não sendo o Tramagal excepção – está, de uma forma geral, tão desligada das questões culturais?

Parece-nos que, entre outras causas, é possível apontar:
­- o nível insatisfatório do ensino ministrado, em muitos casos, e em especial na educação básica, no que respeita às expressões artísticas. Desde logo, porque não houve formação atempada de profissionais capazes de as trabalhar de forma adequada e eficaz. “A carroça foi posta à frente dos bois”! Generalizou-se sem que houvesse profissionais em número suficiente ou devidamente preparados. A formação veio depois e, em muitos casos, com muitas deficiências. Quais são as consequências? Uma delas é o afastamento dos alunos, futuros cidadãos, das áreas artísticas, que passam a não valorizar ou mesmo a desprezar;
- o isolamento crescente das crianças e dos jovens, que estão cada vez mais fechados sobre si, alimentando muitas vezes um mundo virtual muito distante do mundo real, o que coloca o problema do confronto com os outros, gerando, nalguns casos, situações de violência, pela incapacidade de negociar e de ceder perante o outro;
- a desvalorização social das áreas artísticas ( e isto remete-nos forçosamente para as características das sociedades modernas acima referidas). Por um lado, as famílias que desvalorizam estas áreas, pois, como se ouve muitas vezes, “não dão de comer a ninguém”. Por outro, é a própria Escola que hierarquiza as diferentes áreas curriculares, sendo as áreas artísticas, salvo raras excepções, desvalorizadas e tratadas como “áreas de segunda”;
- a falta de uma política cultural coerente e efectiva. À semelhança de outras áreas a cultura não é pensada de forma abrangente. Na nossa opinião, pensar a Cultura de uma forma abrangente passaria, desde logo, por uma articulação muito forte com a Educação. A isto se junta o facto de a cultura “sair cara”!;
- finalmente, a desarticulação entre as várias instituições educativas e culturais que, para além de viverem, muitas vezes, de costas viradas umas para as outras, ainda se envolvem, por vezes, em conflitos e disputas inúteis que, para além de não construírem nada de positivo, ainda contribuem para o seu desprestígio, em nada dignificando a cultura e as artes de que deveriam ser guardiães.

Ao chegar ao fim desta breve reflexão, julgamos ser possível afirmar que os problemas que se fazem sentir ao nível da Cultura e das Artes (enquanto expressão dessa Cultura) nada mais são do que o reflexo da crise por que passam a Sociedade e a Educação que, num processo quase estonteante e recheado de incoerências e ambiguidades, parecem não ser capazes de “acertar o passo” de forma a promover o desenvolvimento efectivo que, inevitavelmente, traria consigo a valorização da Cultura, tão necessária ao equilíbrio das sociedades.

Peço desculpa pelo tempo que vos tomei ao trazer todas estas questões, mas parece-me que para apontarmos caminhos, precisamos de saber, de forma esclarecida, para onde queremos ir e onde queremos chegar. Só depois de sabermos isto e de saber “quem queremos levar connosco” e quais são os recursos de que dispomos, à partida, é que poderemos encontrar as melhores soluções e estratégias que permitam atingir os objectivos que estabelecemos de forma informada e consistente.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Intervenção de Representante da Comissão Instaladora da "Plataforma Associativa" - Adriano Andrade

Fórum para a Cidadania dos Tramagalenses
Sessão Temática - Associativismo, Cultura e Desporto


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Intervenção de Fernando Brazão

Fórum para a Cidadania dos Tramagalenses
Sessão Temática - Associativismo, Cultura e Desporto


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Intervenção do Vereador da Câmara Municipal de Abrantes - Manuel Valamatos

Fórum para a Cidadania dos Tramagalenses
Sessão Temática - Associativismo, Cultura e Desporto


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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Intervenção do Presidente da Direcção do Tramagal Sport União - Fernando Agostinho

Fórum para a Cidadania dos Tramagalenses
Sessão Temática - Associativismo, Cultura e Desporto

Minhas senhoras e meus senhores,
Foi-me pedido na qualidade de presidente do Tramagal Sport União que vos contasse como é o associativismo na nossa colectividade.
Para entendermos melhor como é que vamos passando ao longo dos já oitenta e sete anos de existência, teremos que recuar ao passado e mergulharmos no início do clube.
Conforme já vos contei em diversas ocasiões, o TSU nasceu da junção de dois clubes o Tramagal Football Club e o Desportivo Tramagalense. Nesse tempo, em 1920 os trabalhadores da Metalúrgica Duarte Ferreira aproveitavam os momentos de folga para praticar uma modalidade que lhes era muito do seu agrado e tinha nascido há relativamente pouco tempo. Como eram muito bairristas, gostavam da sua terra, tinham orgulho do seu trabalho e da sua empresa, resolveram juntar-se e procurar ir à disputa com outros de outras bandas e medir forças. Nesse tempo exaltavam-se os valores da terra e defendia-se o seu bom nome procurando ser melhores, mais fortes e como estavam muito próximos poderiam unidos vencer sobre todos os outros.
Como não podia deixar de ser era indispensável o apoio da Metalúrgica, pois era ali que todos acorriam quando necessitavam de trabalho. O patrão sempre os apoiou, quer em meios monetários, quer em infra-estruturas de modo a que pudessem estar sempre na vanguarda. Nesse tempo a militância directiva era vista sobre dois pontos, o primeiro a defesa incondicional do clube da terra, desejo de vitória, em segundo lugar a liderança que lhe poderia marcar pontos na empresa onde trabalhava.
Era uma forma desinteressada de trabalhar em prole da sua terra e orgulho da sua borboleta.
As direcções eram facilmente constituídas, como havia uma comparticipação quase total da Metalúrgica e existiam compensações no trabalho para os directores do clube, era relativamente fácil organizar as tarefas e promover o nome de Tramagal por todo o território nacional, cujo ponto alto se atingiu aquando da passagem pela segunda divisão nacional.
As assembleias eram bastante concorridas, os sócios opinavam e criticavam aqueles que estavam na liderança.
A existência da pista de atletismo, da escola industrial com o ginásio, proporcionaram a colocação de professores de educação física, que logo ali indicavam aqueles que se destacavam e teriam à partida mais aptidões para o desporto. Assim, graças a este intercâmbio, os professores escolhiam de acordo com as modalidades de então, os melhores para defenderem as cores do clube, ocupando eles próprios os lugares de técnicos desportivos.
Vamos agora analisar como são hoje os tempos e facilmente poderão ver as diferenças.
Os valores entretanto existentes foram-se perdendo ao longo dos anos, o próprio encerramento da Metalúrgica, levou muitos dos que residiam em Tramagal a abandonar a sua terra para procurar trabalho, contribuindo para a deserção de várias gerações e consequentemente faltasse a tal militância que era passada entre as sucessivas gerações.
Ficámos então mais longe e mais fracos. Já não existia o apoio do patrão e tinham que se inventar outras formas de financiar a actividade do clube. A prova que foram encontradas soluções para a militância, é que o clube ainda tem actividade e procura encontrar formas para o seu engrandecimento. Teve sim, que abdicar de muitas coisas que seriam fáceis de executar, mas que iriam comprometer o seu futuro. Basta ver o exemplo á nossa volta de muitos que começaram na mesma altura e outros há bastante menos tempo e não conseguiram continuar a sua marcha. Traçou-se o caminho do desporto para todos os que queriam participar, mas de acordo com a realidade e potencial da terra. Pelo facto termos menos meios humanos há necessidade de aumentar a base de recrutamento junto das freguesias de S. Miguel do Rio Torto e de Santa Margarida da Coutada, o que se tem processado com mais ou menos peso. A influência das escolas não tem atingido em termos desportivos a base de recrutamento desejada, porque mudaram muito as formas de recrutamento dos professores, os quais não estão integrados com a localidade e como não residem em Tramagal não podem cooperar, pois não estão cá no fim-de-semana.
A participação nas assembleias tem diminuído bastante, o aparecimento da televisão, de outras formas de entretenimento para os pais e para os atletas, tem levado a um maior desinteresse das pessoas.
A actividade laboral dos tempos modernos leva a que existam menos tempos livres, traduzindo-se em menos tempo para o dirigismo e para um menor acompanhamento dos pais na actividade desportiva dos seus filhos.
Assim, há necessidade de se procurarem outras formas de cativar, quer os atletas quer os sócios. No meu entender isso só se consegue se tivermos boas instalações desportivas e técnicos que desinteressadamente possam assegurar o são convívio a toda a população de sócios e atletas.
Os tempos são difíceis, mas com o apoio incondicional da Câmara de Abrantes, através do seu departamento de desporto, tem sido possível manter em actividade o clube e proporcionar aos jovens a prática desportiva, ocupando os seus tempos livres. Em termos de infra-estruturas possuímos um leque diversificado de instalações que teremos de melhorar, tornando-as mais apelativas e funcionais.
Haverá a necessidade de inquirir os jovens sobre quais as modalidades da sua preferência, não esquecendo a grande falta de oferta para toda uma população de raparigas, que não temos conseguido colmatar.
A relação de proximidade com a comunidade escolar tem que dar frutos, uma estreita colaboração para além da já existente ao nível do desporto escolar é desejável.
Se soubermos ultrapassar tal problema seremos concerteza mais fortes e estaremos mais próximos, para que os atletas de hoje sejam os futuros dirigentes do amanhã.
Não podemos esquecer todas as outras colectividades que existem as quais poderão ocupar um lugar de destaque no apoio ao Tramagal Sport União. Da nossa parte podem contar com um apoio das instalações que hoje possuímos, para os eventos que entenderem por bem levar a efeito.
Muito obrigado.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Intervenção de Carlos Horta Ferreira

Fórum para a Cidadania dos Tramagalenses
Sessão Temática -
Associativismo, Cultura e Desporto

Desde já quero agradecer à organização o convite formulado para que de alguma forma com o meu contributo possa enriquecer o fórum.
Esta minha intervenção não podia deixar de se basear na experiência que adquiri ao longo dos anos em que fui dirigente do Tramagal Sport União.
Ao longo dos vários anos em que desempenhei o cargo de dirigente na secção de atletismo do TSU, fui-me apercebendo que a interligação entre as várias associações não era a melhor e por vezes era mesmo inexistente.
Um exemplo flagrante tem sido o afastamento existente entre a Escola e as associações. Felizmente, que neste momento indicadores em que se começa a dar passos em sentido contrário.
A falta de relacionamento entre as estruturas associativas e outros agentes, só tem contribuído para que os efeitos sejam nefastos no desenvolvimento das mesmas.
Penso que será aqui que as entidades oficiais poderiam e deveriam ter um papel mais activo no desenvolvimento do relacionamento inter associativo, para que possamos ter um associativismo mais forte e mais saudável.
Só que, aquilo a que temos assistido tem sido a negação disso mesmo, continuam-se a realizar debates e colóquios na procura de soluções e conclusões para a questão, e a situação mantém-se, o afastamento dos cidadãos do associativismo e em especial dos jovens é uma realidade.
Por outro lado, as entidades oficiais de uma forma errada na minha opinião, esgotaram uma grande parte dos seus recursos, na última década na construção de infra-estruturas desportivas, muitas vezes desajustadas da realidade económica social e desportiva. Pensaram os responsáveis políticos que esta era a melhor maneira de desenvolver e apoiar o desporto. Enganaram-se.
E enganaram-se porquê? Porque durante todos estes anos que me dediquei ao associativismo e ao desporto, fui-me apercebendo que ao longo dos tempos as pessoas que se dedicavam à causa eram sempre as mesmas. A renovação era escassa por vezes nula.
Era perceptível que os resultados dessa situação seriam num futuro próximo extremamente nefastos para o associativismo e em particular ao desporto, e os resultados estão aí.
Há hoje uma crise profunda no associativismo, por falta de dirigentes. E pergunto eu: O que é que as autoridades oficiais fizeram para evitar essa situação?

Muito pouco.
Na minha perspectiva penso que o dirigismo deve ser olhado pelas entidades oficiais e pela sociedade em geral com outra seriedade e que se definam estratégias por forma a que o cidadão comum e em especial os jovens se disponibilizem e dediquem mais à “causa” do associativismo de maneira a que se mantenham muitos dos projectos existentes e se evite a sua extinção, bem como o aparecimento de novos projectos em benefício da sociedade em geral e em especial da juventude.
Esta minha intervenção foi feita, mais no sentido de chamar a atenção das pessoas, dos problemas com que o associativismo se debate e as suas consequências, do que propriamente apresentar soluções.
Poderia ter aprofundado mais as questões que referi, mas entendi que seria mais positivo discuti-las aqui em conjunto.


Tramagal, 20 de Junho de 2009

Carlos Horta

terça-feira, 23 de junho de 2009

DECISÃO DA COMISSÃO COORDENADORA

A Comissão Coordenadora do Fórum para a Cidadania dos Tramagalenses entendeu não admitir a publicação neste blog de comentários menos próprios e indignos.
Este espaço é destinado à reflexão e aprofundamento de assuntos que contribuam para que sejamos Mais Fortes e possamos estar Mais Próximos.
A Comissão Coordenadora

Intervenção de Carlos Pereira

Fórum para a Cidadania dos Tramagalenses
Sessão Temática - Associativismo, Cultura e Desporto


Ao ser contactado para fazer esta pequena palestra, reflecti sobre o tema e conclui que seria imodéstia da minha parte vir falar do que fiz na terra onde nasci através das Associações onde desempenhei funções, até porque a minha acção ao longo dos anos tanto na Associação de Melhoramentos, na Sociedade Artística Tramagalense, como na Escola E.B. 2,3/S – Octávio Duarte Ferreira e como professor/dirigente/animador, através do meu próprio estatuto, me possibilitou a criação de clubes, grupos e actividades diversas, entre outros, que são do conhecimento público.
Assim sendo vou fazer uma pequena incursão no tema “Associativismo” cujo saber, é um saber de experiência feito.
O Homem sendo um ser social tem necessidade de viver em grupo, estabelecendo desta forma relações com os seus iguais e resolvendo dificuldades intransponíveis para um só homem, através da união de pessoas e respectivos espaços.
As Associações datam na Europa desde o Século XIX com o objectivo permanente de procurar melhorar as condições económicas e sociais, paralelamente com a Revolução Industrial.

Há Associações:

  • Culturais
  • Recreativas
  • Desportivas
  • Partidárias
  • Religiosas
  • Profissionais
  • Defesa de grupos
  • Segurança Social – I.P.S.S.
  • De Estudantes
  • De Âmbito Nacional (pais)
  • Federações
  • Etc.

Cada Associação promove e participa em tudo o que faz movimentar a comunidade colaborando em projectos colectivos de interesse geral aproveitando motivações, meios humanos e materiais, serviços, tudo e todos os que tenham algo a dar e isso sabemos que se quisermos todos temos. As áreas de interesse das Associações são várias: artísticas, intelectuais, sociais, desportivas que pretendem ser uma resposta às necessidades que não são satisfeitas pelas instituições existentes e são asseguradas por voluntários que desenvolvem aí a sua acção, decorrente da vontade das comunidades de responderem às necessidades, contribuindo para a sua própria mudança.
Nas Associações desempenha um papel nuclear o dirigente associativo que é acima de tudo um animador, conhecedor do meio e da realidade envolvente assim como das vontades e dos anseios locais, que terá desejavelmente certas características próprias duma pessoa activa e dinâmica, possuidora duma vontade férrea de pôr em prática o sistema de valores em que acredita, responsável, sociável, que gosta do trabalho em equipa, aberto à mudança, que saiba ouvir sem manipular as ideias dos outros, capaz de se dirigir junto das instituições e poderes públicos divulgando o projecto de grupo e angariando recursos que permitam pôr em prática os objectivos programados. Além de tudo isto deve ser capaz de ser um bom gestor de recursos humanos e materiais, altruísta, generoso, trabalhador e empenhado.
A Associação deve possuir um plano de actividades depois de identificadas as necessidades locais, procurar dar resposta a determinadas necessidades e procurar melhorar a qualidade de vida das populações assim como ocupar os seus tempos livres.
Os dirigentes associativos são agentes de desenvolvimento local, criativos e promotores de criatividade, com enormes responsabilidades, que devem possuir na sua bagagem de valores, atitudes que facilitem a comunicação, tais como:

  • Expressar as suas ideias sem agressividade.
  • Aceitar os outros e as suas opiniões, mesmo as negativas.
  • Estar atento ao que os outros expressam, mesmo sem falarem.
  • Permanecer calmo mesmo em situações de tensão.
  • Ser responsável, disponível, humano e estar aberto a novos valores e atitudes.

Para além de tudo o que disse atrás devo no entanto referir a parte negativa da questão reconhecendo que este é um trabalho pouco reconhecido até mesmo pelas próprias populações locais e que há falta de motivação e interesse da parte da população, cada um interessando-se pela sua própria vida.
Creio no entanto haver algumas respostas para esta crise de liderança no Associativismo e outras poderão surgir deste encontro.

  • Começar pelas crianças a formar novas gerações do Associativismo.
  • Integrar um maior número de jovens nas direcções das Associações.
  • Dar mais informação sobre este assunto.
  • Conseguir mais e melhores parcerias.
  • Ter em conta sempre e cada vez mais as reais necessidades das comunidades e nunca as “vontades” das Associações.
  • Promover actividades de qualidade e contactos muito próximos das pessoas.

Termino, esperando desta forma ter contribuído com alguma informação positiva sobre o tema.

20 Junho 2009
Carlos Pereira

Agora se me é permitido queria ainda expressar em anexo uma outra opinião, esta sobre o Fórum para a Cidadania Tramagalense.

Ao fazer uma breve retrospectiva sobre as sessões passadas promovidas por esta “Comissão Coordenadora”, vejo que se conseguiu positivamente um espaço público de opinião, de interacção e de convergência que mobilizaram muitas centenas de pessoas, muitas vontades e muitas disponibilidades, fez-se um levantamento de recursos humanos e materiais existentes na freguesia, assim como as necessidades da freguesia. Dentro dos vários temas abordados criaram-se altas expectativas entre todos e um clima de grande entusiasmo, mas há uma “ponta solta” que é a necessidade de encaminhamento e resolução. Pessoalmente de tudo o que ouvi o que mais me entusiasmou pela sua nobreza Social e pela sua grandiosidade, foi sem dúvida a criação duma unidade de cuidados continuados na medida em que o envelhecimento da população da freguesia é uma realidade para a qual a freguesia tem poucas respostas. Não é obra para um homem “só,” nem para uma Associação “só”.
Alterando agora um pouco a linha do meu pensamento, devo dizer que tenho sentido uma certa decepção relativamente a esta Comissão Coordenadora, na medida em que depois de tudo o que foi feito de positivo vamos ficar de novo na estaca zero, aquando do encerramento da actividade desta comissão que se prevê para finais do ano.
Parece-me que ninguém com intenções sólidas e a longo prazo, inicia uma acção desta natureza para a encerrar sete ou oito meses depois sem passar dos propósitos à concretização. Se o lema tem sido “o caminho faz-se caminhando”, porquê parar?
Proponho então que esta Comissão passe a ser uma Comissão com o objectivo de fazer convergir todas as outras Associações locais, disposta a conseguir em conjunto a resolução dos problemas primordiais desta Freguesia.
Pelo Tramagal, todos!

20 Junho 2009
Carlos Pereira

Intervenção do Presidente da Direcção da Associação Convívio Lamacheira e Barca - Dinis Matela

Fórum para a Cidadania dos Tramagalenses
Sessão Temática - Associativismo, Cultura e Desporto

Gostaria de começar por caracterizar tramagalense como sendo aquela pessoa que cá tem a sua vida familiar e social organizadas, quer seja nativo quer seja imigrante sem qualquer distinção, até porque o Tramagal é uma terra de imigrantes, e é claro que sem esquecer a nossa diáspora nomeadamente as comunidades da Marinha Grande, Lisboa, Faro e outras; e também aqueles que do coração se sintam tramagalenses.
Agora falando de associativismo, cultura e desporto, e sem querer entrar em definições que outros farão certamente melhor, ou explanação de conhecimentos que não é para aqui chamada , penso que posso dizer sem ferir qualquer susceptibilidade que o ser humano é por natureza sociável, salvo algumas excepções, felizmente poucas.
O ser humano desde sempre sentiu que associando-se a outros, poderia obter melhores resultados do que mantendo-se ou actuando individualmente e de uma forma isolada.
As associações podem ser fundadas com os fins mais diversos, quer familiares, clubistas, desportivos, políticos, educativos ou onomásticos, quer com fins de beneficência e solidariedade e até para o mal e para o crime; tudo é possível, basta que um determinado grupo o queira.
O Tramagal sempre teve um espírito associativo forte e até com rivalidade saudável, lembremo-nos da época em que a SAT e o TTL organizavam bailes e rivalizavam entre si pela melhor realização, mas nós frequentávamos os dois locais e isso fazia o êxito de ambos.
Actualmente o espírito associativo existe, mas coexiste com uma apatia exasperante das pessoas, apatia essa que pode ter várias justificações; eu atrevo-me a referir algumas que me parecem plausíveis, nomeadamente a grande oferta do meio audiovisual e dos media, as grandes superfícies comerciais, factores que condicionam a ocupação dos tempos livres das pessoas duma forma asfixiante. O egoísmo de quem não se associa se daí não obtiver vantagens pessoais ou familiares imediatas e até a falta de inovação das associações e colectividades também deverão ser razões, entre outras naturalmente.
Há outra faceta desta apatia que tem a ver com a generalizada crise directiva, isto é, o hábito são as listas de consenso ou listas únicas (os carolas). Ora isto é sintoma de que as pessoas têm pouco tempo disponível, têm pouco para compartilhar, querem paz e sossego, não se querem chatear com nada nem com ninguém, etc. e também porque é mais fácil em conversa de café criticar aqueles que abdicam de muita da sua vida pessoal para se dedicarem ao esforço colectivo e associativo em nome de um ideal que muitos apregoam mas para o qual nada contribuem.
Essa apatia é tal que leva as pessoas à não participação nas várias actividades oferecidas; por outro lado as associações estão muito de costas voltadas, não existe interactividade e até o relacionamento institucional é muito fraco. Ora se considerarmos que muitos tramagalenses são associados de várias associações em simultâneo, a nossa vida associativa tramagalense devia ser francamente melhor.
Em tempos numa reunião realizada na Junta de Freguesia propus que se fizesse uma Agenda Cultural do Tramagal, constituída por todas as actividades a realizar durante o ano por todas as associações e colectividades; o executivo ainda abraçou a ideia, mas quantas associações responderam? Duas ou três! A ideia não morreu mas ficou adormecida. Felizmente a semente ficou e actualmente fala-se nessa necessidade.
Com uma Agenda Cultural do Tramagal, coordenada por alguém convenientemente reconhecido para tal, poderíamos constatar que afinal fazemos muita coisa e que todos juntos poderemos de facto ser mais próximos e mais fortes. As sobreposições de actividades ou eventos poderiam ser negociadas com o objectivo de obter uma nova calendarização, as instalações e equipamentos públicos teriam uma utilização mais racional e satisfatória para todos; as próprias instalações das diversas associações poderiam ser utilizadas pelas outras, claro que com as contrapartidas adequadas.
Os tramagalenses poderiam assim usufruir de todas as iniciativas disponíveis sem ter que optar por uma ou por outra.
Na vida associativa os jovens têm um papel insubstituível e que todos nós devemos repensar e reequacionar; relembro a brilhante intervenção do Presidente da Associação de Estudantes na última sessão, o qual referiu o facto inegável de que normalmente os adultos não aceitam as suas ideias em pé de igualdade, pois “trata-se de garotos”; esta mentalidade de adulto está profundamente errada! Eu estou à vontade para o afirmar pois comecei a ter responsabilidades directivas muito novo, tenho-as agora também, logo conheço os dois lados que afinal são apenas um.
A associação que represento, a Associação Convívio – Lamacheira e Barca, nasceu a partir de um grupo de jovens em conjunto com alguns pais e mães. Temos jovens na nossa Direcção numa percentagem (casual) de 50%, o mais novo tem 15 anos; as suas ideias e opiniões têm o mesmo valor que as dos adultos e em último caso o exercício do voto exprime essa igualdade. Esta Associação tem como princípios estatutários “Promover o convívio, o lazer e o bem-estar dos seus associados”, “Promover a requalificação da zona ribeirinha do Tramagal” e “Criar uma oficina destinada a preservar os conhecimentos da pesca tradicional no Rio Tejo”. É uma associação com 100 associados e 50 associados – amigos, sendo que os primeiros são habitantes ou proprietários do Bairro da Lamacheira, Quinta da Lamacheira, Rua da Barca e Quinta da Barca, ou têm raízes familiares naquela zona; pode ser associado – amigo qualquer pessoa que o desejar. A única diferença entre eles é que apenas os associados determinam a vida da associação, quanto a usufrutos não há qualquer diferença entre uns e outros.
Agora um pouco de história acerca do espírito associativo na Lamacheira: Em 1957 foi construída a primeira habitação na Lamacheira, dando o pontapé de saída para este bairro situado no topo Norte de Tramagal; seguiram-se outras, a água e a electricidade provinham da quinta, a população foi aumentando e sentiu-se a necessidade de um reabastecimento adequado à nova situação. Em 1959 alguns habitantes reuniram-se e decidiram formar uma comissão que tinha por lema “Unidos venceremos” e assim logo a seguir conseguiram o fornecimento de água e electricidade da rede pública. Em 1974 em plena época revolucionária passaram a ser Comissão de Moradores e conseguiram um telefone público e a abertura da Rua da Lamacheira até à Rua da Barca. Conseguiram também a recolha de lixo e o não encerramento da passagem de nível da CP. Em 1990 surgiu “O Clubinho”, formado por um grupo de jovens também interessados no bem-estar das pessoas e no futuro da Lamacheira e do Tramagal, realizaram festas dos Santos Populares e publicaram por três vezes um jornal. Em 1995 alguns jovens d’ “O Clubinho” associaram-se a outros com a intenção de realizar festas dos Santos Populares e conviverem; essas festas foram ganhando maior dimensão com a participação de alguns pais até que em 23 de Janeiro de 2003 foi legalizada esta associação através de escritura pública.
Na altura a criação desta Associação causou algum furor, não pela expectativa que seria natural, mas pelo espanto: Uma associação na Lamacheira para quê? Querem ser independentes? Numa reunião da Assembleia de Freguesia alguém disse na brincadeira que a Lamacheira queria ser Freguesia. Eu concordei e respondi que sim, mas apenas quando o Tramagal fosse Concelho! Então agora pergunto: Isso não seria bom para todos nós? Isso não seria sinónimo de progresso?
Dinis Matela
Associação Convívio Lamacheira e Barca

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Intervenção de Luís Grácio

Fórum para a Cidadania dos Tramagalenses
Sessão Temática - Associativismo, Cultura e Desporto
SUC 2009-06-20


Queria saudar a organização deste Fórum sobre a Cidadania dos Tramagalenses/Crucifixenses pois só pela ideia e o facto de ele se desenvolver através de sessões temáticas, de debate, é já um grande contributo para sermos mais fortes e mais próximos.
Queria também manifestar a minha satisfação pelo local onde se realiza esta sessão pois tenho pelo Crucifixo um especial carinho por ser a terra dos meus avós e da minha mãe.
Fui convidado a participar e aceitei dar o meu contributo neste Fórum por ter alguma experiência no movimento Associativo como dirigente e como colaborador e animador cultural.
Não me considero totalmente um cidadão ausente pelo facto de passar mais tempo do ano sem o convívio dos presentes e por essa razão, mais distante da discussão do associativismo local. Sinto-me ligado e interessado pelas Associações da minha terra.
Para intervir sobre as actividades culturais, tema que me foi proposto, tenho que forçosamente abordar a questão do Associativismo da nossa Freguesia.
As colectividades existentes na nossa terra constituem uma realidade da maior importância para o Associativismo na comunidade local e regional. Com provas dadas ao longo das várias gerações Tramagalenses, a produção artística, cultural, desportiva, recreativa, de melhoramento social, gerada ao longo dos tempos, o seu grau de satisfação e qualidade atingidos, faz-nos sentir orgulhosos da nossa terra mas ao mesmo tempo apreensivos e inquietos, o que originou, de algum modo, a realização deste Fórum.
Antes e depois do 25 de Abril 1974 sempre existiram associações de cultura, recreio e desporto na nossa Freguesia, que marcaram as várias épocas, mesmo sem a liberdade de expressão, e por essa razão não está em causa a sua existência e a quantidade. Poder-se-ia pôr em causa a qualidade do trabalho prestado por algumas e neste Fórum, ajudar a procurar caminhos e soluções para o seu melhoramento.
O 25 de Abril 74 abriu portas a uma fragmentação e diferenciação dos estilos e vidas culturais que deixaram de ser pautadas pelos cânones do antigo regime. E que, apesar da rotura com o passado, sobreviveram certas manifestações de cultura festiva e recreativa popular com são os casos de grupos Folclóricos, Bandas de música, ou as estruturas de formação alternativa e resistência ao regime ditatorial, com os Cineclubes e os Grupos de Teatro Independentes.
As Associações são hoje espaços de socialização cívica, política e cultural que contribuem para a dinamização da vida democrática sendo ao mesmo tempo um veículo fundamental da promoção da cidadania.
Mas apesar do "ar" dos tempos da sociedade ser a tendência dos cidadãos se tornarem mais individualistas e alheios da vida colectiva, há sempre alguém que resiste e se disponibiliza para ser dirigente ou colaborador de uma colectividade.
Aqueles que têm sensibilidade para o associativismo devem ser os dirigentes e dirigir.
Eu creio que o modo, as atitudes, as capacidades e o desempenho dos membros das Direcções de Colectividades influenciam o bom ou o mau funcionamento de uma organização. O conjunto de virtudes, valores cívicos nos indivíduos, o respeito pelo bem público, os hábitos de cooperação, o respeito pelo bem público, os hábitos de cooperação, o respeito pela lei e pelos outros, a predisposição para participar na vida pública, são sem sombra de dúvidas, factores fundamentais para o bom funcionamento das colectividades e para o êxito dos seu objectivos. Não deve ser dirigente quem gosta e quer ser, mas sim quem tem de facto conhecimento e vocação.
Deste modo defendo que há necessidade e interesse de processos de formação para dirigentes e colaboradores, especialmente jovens, nomeadamente nas áreas do Teatro, Música e outras.
O teatro, o cinema e a música foram sempre as áreas de que mais gostei e dediquei grande parte do meu tempo de lazer. Talvez por ser filho de um homem, Joaquim Alves Grácio, que foi no seu tempo, em conjunto com outros, um destacado amador de teatro na nossa terra e isso, mesmo sem haver muitos registos, me possa ter influenciado de certa maneira.
E ao lembrar estes Tramagalenses e essa época, verifico que, se houvesse quem escrevesse e registasse a história local, a importância que isso teria, sem ter de ficar ancorados ao passado, para agora podermos comparar as nossas dificuldades com as dos nossos antepassados.
Fazer a história local dos usos e costumes, das nossas tradições, daquilo que foi realizado pelo movimento associativo local com muito carinho, esforço e dedicação, é sem dúvida criar um património cultural e contribuir para a caracterização de uma Freguesia que se deseja com uma comunidade de significativa coesão e forte identidade
E essa história Local serviria também para influenciar as políticas culturais autárquicas que pecam por ausência de estratégias e realizações de eventos onde se utiliza os recursos públicos muitas vezes, sem público.
Para se ser mais forte e mais próximo teremos fundamentalmente de saber quebrar o aparente isolamento em que muitas vezes caímos, ou seja evitar que a comunidade se vire para dentro de si própria e se projecte para fora, regional, nacional ou mesmo internacional.
Dar visibilidade às coisas que vamos fazendo na nossa Freguesia, é uma medida de esforço para a dinamização das comunidades (ausentes e presentes) e do nosso tecido associativo, que gosta de saber das coisas da sua terra.
A utilização dos meios de Comunicação locais e nacionais, são importantes nesta divulgação e informação sobre as actividades das associações. As Rádios Locais poderiam criar um programa que habituasse a comunidade a um discurso sobre as Associações e a Cultura com tem para o Desporto.
Fui actor e encenador no TTL e SAT. Foi na SAT, nas Direcções de Rogério Lemos, Carlos Pereira e Carlos Silva, que aprendi que não basta a capacidade, o esforço e dedicação dos dirigentes e colaboradores para se realizar eventos com impacto e dar continuidade a projectos culturais.
È necessário os apoios públicos e autárquicos.
E constatei na altura, que os subsídios foram insuficientes, sabendo-se que a oferta cultural e recreativa foi adequada e suficiente para a região, para o nosso Distrito e até para o nosso País.
Havia planeamento, estratégia e projectos culturais definidos.
É pena que a simples mudança de uma Direcção numa colectividade, acabasse com todos os projecto iniciados e dinamizados por colaboradores jovens e adultos, interessados na procura, na formação e no alargamento de públicos, como foi o caso da realização de Cafés-semcerto.
Mas outras Direcções hão-de vir com novas ideias e novos projectos e procurar dar continuidade ao trabalho que foi realizado.
O Homem, por natureza, é um ser sociável. Não pode, portanto, isolar-se e viver o seu dia a dia confinado ao emprego e à sua casa.
Terá forçosamente que procurar cultura, recreio música, espectáculos, lazer, desporto,etc, e isso as Associações saberão preparar a oferta de acordo com a procura e encontrar soluções para os problemas que se colocam face aos novos tempos.
Penso que as interrogações e algumas propostas que deixo a este Fórum fazem sentido e espero ter contribuído para sermos mais fortes, mais próximos e mais unidos.

Crucifixo, 20/06/2009 Luis Manuel Menaia Grácio

Intervenção de António Maria Coelho de Carvalho

FORUM PARA A CIDADANIA DOS TRAMAGALENSES
Associativismo, Cultura e Desporto
SUC 090620


Muito boas tardes
Como é da praxe, começo por agradecer o honroso convite para participar neste Forum.
Tenho andado afastado destas lides, mais por motivos familiares do que por desinteresse ou cansaço, mas senti que não devia recusar esta minha pequenina contribuição para um Tramagal melhor

Comecemos pelo ASSOCIATIVISMO
A conjugação de esforços que gerou o brilhantismo do Tramagal Intercultural entusiasmou-me e fez-me acreditar que era possível melhorar a qualidade de vida na nossa terra. Não estive intimamente ligado à organização de qualquer dos eventos, mas creio que os seus mentores poderão ajudar imenso a “evolução cultural” anunciada com este Forum, se nos informarem das razões que levaram à sua extinção. Creio que a experiência adquirida com os TIC poderá ser a melhor base para a correcção de erros então cometidos ou para a invenção de novas soluções para os problemas que surgiram e não foram a seu tempo resolvidos.
Li que está em gestação uma “plataforma associativa”. Embora desconheça os moldes preconizados para o seu funcionamento, receio que não venha a funcionar com a eficiência e a eficácia desejadas se não estiver formalmente ligada à Junta de Freguesia. Será no entanto preciso inventar um novo modelo de Junta de Freguesia, não dependente dos partidos políticos, o que, não sendo ainda fácil, já não é de todo impossível.
Ao nível das juntas de freguesia interessa mais o bom relacionamento, a dedicação e a disponibilidade dos seus membros do que a sua filiação partidária. Os partidos políticos têm sido uma espécie de clubes de futebol e têm separado emocionalmente as pessoas em vez de as unir na busca de soluções para os problemas da comunidade.( Se as Juntas de Freguesia são do mesmo partido da Câmara são beneficiadas, mas ficam politicamente impedidas de a criticar; se não são da mesma cor política, criticam-na, mas são esquecidas na repartição das benesses).
Na espécie de prontuário que a Comissão Coordenadora fez o favor de me enviar, há muitas e pertinentes interrogações sobre o associativismo tramagalense. Sugiro que, na medida do possível, algumas sejam aproveitadas em sessões de “brainstorming”, a efectuar na SAT e na SUC. O “brainstorming” foi inventado, há mais de 50 anos, por um americano, mas ainda é pouco conhecido e ainda menos praticado em Portugal. Tem como objectivo aproveitar a nossa criatividade para a recolha do maior número possível de respostas a problemas que se queiram resolver. A 4 ou 5 pessoas, sentadas à volta de uma mesa, é dada uma questão que se quer resolvida. Cada uma dessas pessoas diz, sobre o assunto, o que lhe vier à cabeça, mesmo que seja um disparate. Ninguém pode criticar o que for sendo dito. Registam-se as ideias expressas e passados 5 ou 6 minutos pára-se o exercício e entrega-se a lista das ideias a quem estiver encarregado de as examinar e eventualmente aproveitar. Com uns cafezinhos, ou umas mini’s, pode-se juntar o útil ao agradável.

Outra dica que me ocorreu. Diz-me a minha experiência de muitos anos e muitas frustrações, que uma das causas das falências dos movimentos sociais bem intencionados é a falta de jeito, aliada à falta de preparação, de quem orienta as discussões. Creio que seria muito útil a formalização de um pequeno curso sobre “condução de reuniões” para os candidatos às mesas de assembleias. Outro curso que seria extremamente útil seria sobre a “arte de falar em público”. Repare-se nos políticos bem falantes, que não precisam de ser cultos nem inteligentes para terem sucesso e, eventualmente chegarem a primeiro-ministro…
Num e noutro caso creio que o IEFP poderá dar uma ajuda.

Passemos à Cultura e ao Desporto.

Não vamos discutir os vários significados que pode ter a palavra cultura. Chega-nos o conceito de cultura como tudo o que é aprendido, inventado e partilhado pelos indivíduos de um determinado grupo e que confere uma identidade a esse grupo e a cada indivíduo dentro desse grupo.
Então o que é que devemos aprender para melhorarmos a nossa vida ? Por outras palavras, o que é que a Escola nos deve ensinar? Por certo cada cabeça cada sentença, mas não deverá ser difícil encontrar denominadores comuns. Bastaria um inquérito à escala nacional sobre as faltas de conhecimento que cada um de nós sentiu no seu dia a dia, para termos uma base honesta de uma verdadeira reforma curricular nas nossas escolas. A nível local, o “nosso” jornal Abarca poderia ser pioneiro neste inquérito e a UTIT encarregar-se ia de ministrar os ensinamentos mais relevantes. Nunca é tarde para aprender…
Como exemplo pessoal, posso dizer que, entre muitas outras coisas, me fez falta saber algumas normas do Código Civil, sobre obrigações e contratos, sobre propriedade de imóveis e das águas, sobre heranças e partilhas, sobre deveres conjugais… (é espantoso como quase toda a gente vive na ignorância das regras a que deve obedecer a sua convivência com os outros cidadãos ! Será truque dos advogados para terem mais clientes?).
Também me faz uma confusão dos diabos a nenhuma importância que, oficialmente, se dá à Filosofia, à Música e à Educação Física. Claro que, no que respeita à Filosofia, quanto mais broncos forem os eleitores mais descansados andarão os governantes, mas então se não os podemos corrigir para que é que nos serve esta espécie de democracia em que vivemos?
A Música é outra mal-amada disciplina. Aqui não encontro explicação. Não há povo nenhum, dos aborígenes da Austrália aos mais sofisticados europeus, passando pelos negros americanos, que não tenha as suas músicas, que não as cante ou que não dance ao som delas. É um dos índices mais fiáveis do desenvolvimento de uma nação a difusão da cultura musical. Em Portugal há mercado para milhões de espectadores mas não nenhum incentivo para praticantes. Talvez a situação mude quando se chegar à conclusão de que aprender música, para a cantar ou tocar num instrumento, é a melhor prevenção para as doenças mentais que tanto estão a afligir a humanidade. Talvez então a Música e os músicos passem a ser acarinhados. Pena tenho eu que essa outra revolução não chegue a tempo de eu ir para a grande viagem ao toque da Nova Banda da SAT.
Quanto à Educação Física e ao Desporto a situação é diferente. Tem havido muito investimento em instalações desportivas: pavilhões, piscinas, campos de futebol, pistas de atletismo… Mesmo localmente, excepção feita à vergonha do desprezo a que foi votada a pista, existem, como nunca, condições para que os nossos rapazes e raparigas se dediquem à prática desportiva em muito maior número do que na realidade acontece. O que está falhando? Eu por mim, reformado há muitos anos do TSU, não tenho resposta. Burocracia a mais na utilização das instalações? Efeito perverso das novas tecnologias, com o amolecimento dos garotos viciados nos jogos de computador? Consequência da propaganda desenfreada ao futebol espectáculo e aos ordenados fabulosos dos seus praticantes? Pouca predisposição dos atletas veteranos para se assumirem como dirigentes? Não sei. E tenho pena porque há 40 anos sonhei que Tramagal, poderia ser na actividade desportiva, um exemplo para todo o País.

Obrigado por me terem escutado e até qualquer dia.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Sessão Temática – Associativismo, Cultura e Desporto

SUC, 20 de Junho de 2009

PROGRAMA


Houve necessidade de reestruturar o Programa inicial, em função de outros compromissos de alguns intervenientes.

15,00 – ABERTURA

15,05 – Momento Musical – Viola e Guitarra Portuguesa (Joaquim Ervideira e Luís Grácio)

15,30 - Apresentação
15,40 – Direcção da Sociedade União Crucifixense – Vítor Hugo
15,50 – Vereadora da Câmara Municipal de Abrantes – Isilda Jana
16,00 - Vereador da Câmara Municipal de Abrantes – Manuel Valamatos
16,10 – António Coelho de Carvalho
16,20 – Margarida Neno
16,30 – Luís Grácio
16,40 – Associação Convívio Lamacheira e Barca – Dinis Matela
16,50 – Carlos Pereira
17,00 – Carlos Horta Ferreira
17,10 – Mário Mendes
17,20 - Fernando Brazão
17,30 – Direcção do TSU – Fernando Agostinho
17,40 – Plataforma Associativa de Tramagal – Adriano Andrade

17,50 – DEBATE

19,00 - ENCERRAMENTO

Associativismo, Cultura e Desporto - INTERROGAÇÕES

Sessão Temática – Associativismo, Cultura e Desporto
Interrogações

No contexto da “Carta de Princípios” do “Fórum para a Cidadania dos Tramagalenses” o caminho para uma Comunidade Mais Forte e Mais Próxima, em matéria de Associativismo, Cultura e Desporto, poderá ser encontrado e concretizado por Todos os Actores e Cidadãos.
Encontrar as respostas ou as soluções depende muitas vezes da inquietude das interrogações.
É esse um exercício que propomos, sabendo que muitas poderão não fazer sentido ou têm uma resposta fácil, o que será positivo se significar que não há caminho a percorrer.
Outras haverá que têm uma resposta difícil, o que poderá significar que temos um caminho conjunto para percorrer.
Outras poderão não ter resposta. Poderá ser sinal de estarmos a ser pouco ousados ou de a resposta não estar em Nós.
E outras haverá que não fomos capazes de formular, mas que juntos podemos descobrir.
  • Qual é o estado do nosso tecido associativo? Dinâmico, estável, cristalizado, moribundo ou rejunesnecido ?
  • É um tecido associativo pulverizado? Demasiado compartimentado?
  • Qual o grau e alcance do relacionamento entre associações? Estratégico? Estrutural? Pontual? Em função de actividades concretas? Aproveitando recursos e estruturas? Partilhando o planeamento de actividades? Há uma cultura de cooperação? Que trabalho em rede? Que parcerias?
  • Caracterizar as relações entre as estruturas associativas e outros agentes, designadamente Câmara Municipal, Junta de Freguesia, ou Escolas?
  • Há necessidade e interesse de processos de formação para o dirigismo associativo? Em que áreas? Quem e como promover?
  • Como motivar a participação individual na vida associativa? Como motivar à participação no dirigismo associativo?
  • A denominada “Plataforma Associativa”, em gestação, que objecto e objectivos pode e/ou deve prosseguir? Que nível de integração? Mais um concorrente nas actividades? Um facilitador? Como enriquecer o actual panorama? Motivar uma cultura de cooperação? Sede da concertação e calendarização de actividades? Concretizar o princípio da subsidariedade? Assumir o papel de plataforma de gestão da informação sobre actividades e acontecimentos? Promover a realização conjunta de iniciativas numa única organização ou o desenvolvimento de iniciativas individuais num programa único (Tramagal Intercultural)?
  • Nível de diversificação dos agentes? Sempre os mesmos, porque não há outras soluções? Ou não há outras soluções porque são sempre os mesmos?
  • Participação dos jovens nas direcções associativas? Um objectivo? Que estratégias para concretizar?
  • O nível de actividade é adequado para as estruturas? Estruturas desaproveitadas? Público suficiente? Público informado? Que meios informativos?
  • Que apoios públicos e autárquicos para a cultura e desporto? Adequados? Suficientes? Insuficientes? Inadequados? Motivadores da acção?
  • A oferta cultural e recreativa é adequada e suficiente? Existem lacunas? Quais? Podem ser supridas? Como? Com quem?
  • A oferta de prática desportiva é adequada e suficiente? Existem lacunas? Quais? Podem ser supridas? Como? Com quem?
  • O conjunto de lacunas e necessidades referenciado na Sessão Temática da “Educação e Juventude” - um cinema e consequente exibição; espaço desportivo permanentemente aberto e disponível; pista de Atletismo, em condições de prática desportiva; parque ambiental; mais modalidades desportivas e aproveitamento dos campos de ténis; escola de Música e Biblioteca, em condições - merece reconhecimento e tem pertinência de resolução? Como resolver? Quem? Com que meios?
  • O tecido associativo contribui para estreitar os laços da freguesia com os membros da Comunidade Ausente? É possível estreitar ainda mais? De que forma? Os ausentes desejam manter, reatar ou aprofundar ligações com o tecido associativo?

As respostas a estas interrogações e a muitas outras que aqui não estão são o nosso desafio, o sentido do caminho a percorrer.
As Associações são uma importante componente do nosso Edifício Social.
O Encontro será no dia 20 de Junho, pelas 15 horas, na Sociedade União Crucifixense.

A COMISSÃO COORDENADORA

Tramagal, 14 de Junho de 2009

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Educação e Juventude - Síntese e Referências

Sessão Temática – Educação e Juventude

Referências

Propositadamente este documento não foi elaborado imediatamente a seguir à iniciativa, no sentido de não interferir nas reflexões e discussões que sempre se seguem.
Decorridas três semanas considerou a Comissão Coordenadora ser tempo suficiente para dar a conhecer a síntese que realizou.
A Sessão Temática – Educação e Juventude do “Fórum para a Cidadania dos Tramagalenses” realizou-se a 16 de Maio, na Sociedade Artística Tramagalense.
Os momentos culturais, inicial e final, estiveram a cargo de um grupo de jovens tramagalenses, sem actividade regular, os “DYSIS”, que actuaram com muito agrado e que mereceram o aplauso do público presente, em especial o jovem.
Que esta actuação seja um estímulo para os DYSIS e para todos os jovens tramagalenses no sentido da criação e actividade artística, designadamente a musical.
Intervieram a Vereadora da Câmara Municipal de Abrantes, Isilda Jana, a Directora do Agrupamento Escolar de Tramagal, Isabel Rebeca Alves, o Presidente da Direcção da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento Escolar de Tramagal, Rui Antunes, o Presidente da Direcção da Associação de Estudantes da Escola 2,3/S Octávio Duarte Ferreira, Rui Horta, o Presidente da Direcção da CISTUS, Adriano Andrade e os cidadãos, Jorge Rafael, Ana Paredes Mendes e Bruno Neto.

A Comissão Coordenadora havia elaborado em documento – Interrogações – com o propósito de suscitar um conjunto de questões acerca das quais, as respostas dos intervenientes pudessem formatar a reflexão e discussão dos temas.
Pensamos poder afirmar, tendo por base as diversas intervenções realizadas, haver um consenso estabelecido quanto à oportunidade e necessidade de:

. Intensificar as relações entre os intervenientes, Escola, Jovens, Associações e Autarquia;
. As questões subjacentes às interrogações podem ser resolvidas e concretizadas. Dependendo da vontade dos interessados, a comunidade e juventude tramagalense, de planeamento e liderança;
. A existência de recursos materiais pode não ser problema à concretização de projectos, reconhecido o mérito dos mesmos e a capacidade em os concretizar;
. “Pais, professores e comunidade em geral devem colaborar juntos na construção de uma escola que se quer mais humana e cívica, onde os ideais da democracia e o respeito pelo outro não sejam palavras vãs. Por vezes é muito fácil criticar, mas tentar…ajudar a melhorar, já é mais difícil!....”;
. Promover a integração dos jovens em actividades da freguesia, como resultado da confiança nas suas aptidões;
. Necessidade de desenvolver condições para manter os jovens residentes e a possibilidade de construir o seu futuro no Tramagal, com mais opções de trabalho para os jovens, para que não seja necessário ir procurar fora o que podíamos ter cá dentro. É preciso tornar o Tramagal numa zona atractiva para todos, é preciso investir no Tramagal;
. Apelo à participação dos jovens em actividades sociais, como esta, e à participação no associativismo;
. O futuro pertence aos que acreditam na beleza dos sonhos. Os nossos jovens acreditam e cabe-nos a nós, Sociedade, Escola e Comunidade, proporcionar-lhes oportunidades de chegarem mais além. Mais juntos, mais próximos, vamos conseguir;
. “No Tramagal temos uma vontade e uma alma enormes”;
. “É tempo de agir, de educar, comunicar e sobretudo de partilhar e consciencializar dos jovens!” ;
. “È a vontade que move os jovens. È a irreverência que os torna os mais odiados e ao mesmo tempo os mais adorados na comunidade. É a visão de que o contexto é mau e que se pode mudar, dando a volta por cima. É o não ter medo de arriscar, é o estar no presente, com um pé no futuro e com uma aprendizagem do passado”;
. “Na base vital da nossa existência, está a educação, estão os ensinamentos que nos são transmitidos pela genética familiar e comunitária.”. “Tramagal enquanto conceito comunitário, cruza história, estórias, personagens e sonhos.”. Importância das dinâmicas sociais, culturais e económicas do Tramagal, da criatividade de um povo que se educou no trabalho, na seriedade e nas sinergias comunitárias;
. Os jovens são o presente, são líderes de opinião, são os construtores e criativos dos sonhos mais além;
. “O desenvolvimento sustentável passa por aqui, passa pelo envolvimento de cada uma e cada um de nós, passa pelo entendimento de todos os actores sociais para a construção de uma vitalidade fundamental, para que Tramagal se possa ir recriando e valorizando, como terra, como povo, como sonho.
Para a nossa terra temos as sementes e o conhecimento local nas nossas mãos, temos a comunidade como os elementos naturais vitais, temos a fertilidade em toda a nossa vontade, e o adubo é toda a nossa utopia de querermos um Tramagal melhor.
Apenas juntos poderemos tornar os sonhos realidade.”

Um conjunto de lacunas e necessidades foi referenciado, podendo não haver unanimidade ou consenso geral quanto à sua pertinência:

. Um local com acesso à Internet para todas pessoas;
. Um cinema e consequente exibição;
. Espaço desportivo permanentemente aberto e disponível;
. Pista de Atletismo, em condições de prática desportiva;
. Parque ambiental;
. Mais modalidades desportivas e aproveitamento dos campos de ténis;
. Escola de Música;
. Biblioteca, em condições;

Em suma, apesar de algumas referências a um conjunto de equipamentos, infra-estruturas e actividades inexistentes, houve o reconhecimento que importa estar mais próximo, intensificar relações entre os envolvidos, proporcionar sinergias, como forma de estarmos mais fortes, maximizando a utilização dos meios disponíveis, e que os recursos poderão ser mobilizados para projectos com mérito e susceptíveis de desenvolvimento.
A participação dos Jovens na Sociedade e no Associativismo, da Escola na Comunidade, dos Pais e Encarregados de Educação na Escola, da Autarquia com todos estes actores da Comunidade é o caminho.
O caminho faz-se caminhando e todos demos passos no caminho de sermos Mais Fortes e estarmos Mais Próximos.
A próxima iniciativa do “Fórum para a Cidadania Tramagalense”, para a qual convidamos todos os cidadãos da freguesia, bem como, os intervenientes nos temas a abordar, será uma “Sessão Temática” sobre o – Associativismo, Cultura e Desporto – a realizar no dia 20 de Junho, pelas 15 horas, na Sociedade União Crucifixense.

A COMISSÃO COORDENADORA

Tramagal, 9 de Junho de 2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Video - Sessão Inaugural- André Vicente

O início da actuação do pianista tramagalense, André Vicente, na "Sessão Inaugural".